Imagem capa - Iluminação Difícil? Duas Dicas! por Daniel Magalhães
Fotografia

Iluminação Difícil? Duas Dicas!


É como aprender a tocar um instrumento: ele se torna mais fascinante à cada passo. Do treinamento dos rudimentos, à empunhadura certa, as primeiras notas, as primeiras músicas meio desconcertadas até caminhar para a maestria ao tocar.


A construção da própria iluminação e a experiência com a luz na fotografia, podem ser processos igualmente fascinantes ou dolorosos. Muitos fotógrafos desistiram dessa jornada ainda no início do caminho e deixaram pra trás um universo de possibilidades criativas.


Se você em algum momento sentiu dificuldades ao lidar com a iluminação na fotografia, neste artigo te dou duas dicas que podem te ajudar a voltar a descobrir o potencial da luz para o seu trabalho. Você vai ver como estas duas dicas foram essenciais para criar o set de quaro luzes que montei para fazer  o retrato do músico deste artigo. 


O FLASH NA FOTOGRAFIA 

Como disse neste artigo, existem diversos mitos acerca do flash na fotografia que o desqualificam  e o colocam como grande vilão, quando na verdade, boa parte desses mitos vêm da falta de conhecimento ou prática com o equipamento.


Uma vez que a luz do flash, é uma luz que não se vê até o momento que a foto está executada, o fotógrafo precisa ter um nível de intimidade com essa iluminação para começar a extrair o melhor dela.



Assim como falei sobre o processo de aprender a tocar um instrumento, a iluminação é um processo à ser construído e não existem atalhos para se chegar lá além da combinação de estudo e prática.


CONHEÇA CADA MODIFICADOR

Montar sets com várias luzes podem resultar em processos complicados e frustantes se você não conhece os efeitos de cada iluminação. 


Uma grande característica do flash é a alta dispersão que ele tem: uma vez disparado o flash emite luz em quantidade e em ângulo aberto (quando com zoom aberto). 


Em um set com várias luzes, elas podem facilmente se misturar, criando uma luz chapada, sem profundidade e sem sombras. Um grande exemplo são as fotos de estúdios que costumam usar duas sombrinhas à 45 graus do modelo: não há sombras, nem relevo, nem profundidade nas fotografias; tudo está iluminado.



Minha primeira dica então é: CONHEÇA CADA MODIFICADOR. Dessa forma, você vai saber como modelar a luz de acordo com sua necessidade criativa.


Para  trabalhar em um set com várias luzes então, é necessário usar modificadores que te possibilitem maior controle da dispersão.


 Como luz principal, os modificadores mais comuns são o Softbox, que tem formato retangular ou o Octobox, que tem formato octogonal.



Softbox Mako oferecido em varios tamanhos. (Clique na imagem para ir ao site.)

Os softbox são mais estreitos, portanto oferecem luz mais direcional. Ao posicionar um softbox 45 graus em relação à uma pessoa, é possível ver como ele gera sombras mais profunda no outro lado. Qualquer seja o seu tamanho de softbox, ele sempre vai oferecer uma luz mais direcional.



Octobox Mako oferecido em vários tamanhos. (Clique na imagem para ir ao site.)

Os Octobox têm construção mais aberta e oferecem maior dispersão de luz.. Podem ser uma opção fundamental quando se procura uma luz mais aberta e com menos sombras ou quando se precisa iluminar duas ou mais pessoas com uma mesma fonte de luz.


Lembre-se sempre que, quanto maior o modificador, mais ele dispersa e espalha a luz pelo ambiente.  Se você já tem aquele megaOCTOBOX  em casa e tá pensando "estou ferrado(a) então", não se preocupe: existem grids para octobox e softbox que ajudam a concentrar a luz.




Se vai usar outras luzes no ambiente, um acessório que pode ser muito útil são os Grids para speedlights


Sem querer desconsiderar a opção de fechar o zoom do flash, mas os grids proporcionam uma textura mais bonita e mais difusa da luz.



MagGrid da MagMod (Clique na imagem para ir ao site.)



Agora que você já conheceu uma dica importante sobre a escolha do modificador certo para usar em sets com várias luzes, vou te mostrar como apliquei isso na iluminação do retrato deste músico.


VÁ POR PARTES 

Antes de ligar qualquer flash,, o fotógrafo precisa entender a finalidade da fotografia e o que a imagem deve transmitir. 



Você precisa criar uma luz que comunique; que tenha relação com o lugar que você está fotografando e esteja alinhada com a mensagem, clima ou sensação que precisa transmitir.


Esses retratos para o músico, foram feitos com o objetivo de lançar uma de suas músicas. A música fala de memórias e de lembranças, de sentimento... A casa, de 1942 em art decó, estava totalmente alinhada com a mensagem da música e os objetivos da nossa produção.




Para os retratos, criei uma luz mais quente, usando Filtros CTO e ao invés de usar uma grande luz aberta e sem contraste, pensei em usar vários pontos de luz quente, como forma de criar uma continuidade com a luz da casa que tem, além das luminárias no teto, pontos de luz na parede.  

É o que chamo de "luz possível", ou seja, uma luz que poderia ser interpretada como a luz da própria casa iluminando o cantor.




Neste set, usei quatro luzes. Um set assim pode parecer um pouco complexo, mas minha segunda dica fundamental para se trabalhar com essa iluminação sem se perder é: 

VÁ POR PARTES!


Após definir quais são os modificadores que vai usar e o tipo de imagem que pretende produzir é preciso um ponto de partida e não há melhor ponto de partida que um quadro branco ou, nesse caso, uma foto sem luz.




Minha primeira foto é bem escura, pois meu objetivo é que a luz que eu produza domine a imagem, não a luz da própria casa. Repare que, na minha fotometria respeitei somente a luz dos pontos da parede, pois eu não os iluminaria depois.


Partindo da minha foto inicial, sem nenhuma luz, inseri a primeira luz: um Octobox de 90cm. Não é um Octobox grande o suficiente para ter muita dispersão de forma que eu perca o controle da luz e nem é um Softbox estreito, que concentraria demais a luz e me deixaria com um set inteiro para iluminar. 


Então repare nessa foto abaixo, como o octobox fez a iluminação principal do cantor e ainda vazou uma luz que me ajudou a suplementar a luz do fundo. Forcei o posicionamento do octobox de forma a gerar mais sombras no cantor e não "chapar" a luz.




Repare que no fundo, ainda falta luz nas malas. As malas falam sobre memórias, sobre viagem, sobre encontros e despedidas, então elas são personagens secundários na nossa fotografia e precisam ser valorizados. Um flash dedicado com grid me deu a luz pontual que eu precisava e ainda valorizou a lareira:




Com o fundo da foto pronto, voltamos ao músico: observe que o lado direito está muito escuro. Precisamos separar o músico do fundo, então um recorte fez esse trabalho. Gosto de recortes um pouco mais fortes para que fiquem estourados e proporcionem um brilho maior no contorno.




Pra chegarmos na foto final, ainda falta preencher levemente a sombra no lado direito do cantor. É uma foto comercial, então precisamos mostrá-lo, valorizar sua imagem para que seja  divulgada. 




Essa é a nossa fotografia final! Um set de quatro luzes onde foi fundamental usar as duas dicas que compartilhei nesse artigo: CONHEÇA CADA MODIFICADOR e VÁ POR PARTES !


Se você chegou ao final desse artigo existem duas probabilidades: ou você é apaixonado pela luz e iluminação fotográfica como eu, ou quer muito descobrir mais sobre esse universo! Se você veio até aqui eu gostaria muito de saber o que achou do artigo e sobre o que gostaria de ver mais aqui, então seria show seu comentário logo abaixo!


#coreluzsempre


ps.:

Confere nesse link as datas do meu workshop de iluminação para fotógrafos, sua cidade pode estar na nossa programação!